MIL FOLHAS – Cozinha Brilhante estreia coluna sobre livros

As delícias da cozinha presentes nos livros são tema para uma coluna aqui no blog Cozinha Brilhante.

Quem vai dar conta do recado é Frank Ferreira. Paulistano, editor e tradutor há uns 20 anos, é também cineclubista desde 1982 e comilão desde sempre _como ele mesmo se apresenta.

Frank começa com “O Cinema Vai à Mesa – Histórias e Receitas”:

O Cinema Vai à Mesa - Histórias e Receitas, livro de Rubens Ewald Filho e Nilu Lebert, da Melhoramentos
O Cinema Vai à Mesa – Histórias e Receitas, livro de Rubens Ewald Filho e Nilu Lebert, da Melhoramentos

O cinema é conhecido como forma de arte audiovisual — assim como o teatro faz parte das artes cênicas, a pintura e a escultura das artes plásticas etc — porque impressionaria especialmente os sentidos da audição e da visão.

Alguns chegaram a propor que a expressão “arte cinematográfica” fosse substituída por “arte audiovisualista”.

Acontece que a celebrada impressão de realidade que o cinema transmite aos espectadores é tão poderosa que consegue repercutir sobre os outros três sentidos humanos e provocar reações relacionadas a outras sensações.

É clássica a experiência de comportamento em que a mensagem subliminar “Eat popcorn” (“Coma pipoca”) inserida entre os fotogramas de um filme resultou numa corrida ao pipoqueiro ao fim da projeção.

Para nossa felicidade, há diretores e roteiristas que conseguiram criar e realizar filmes em que os atos de cozinhar, comer e beber prazerosamente, mais do que simples registros cinematográficos de ambientes e gestos casuais, são o centro em torno do qual a narrativa evolui.

Os mais bem-sucedidos criaram obras inesquecíveis. Por outro lado, nossa memória afetiva pode guardar para sempre cenas talvez dispensáveis em filmes famosos por outras razões, como quando Jack Lemmon usou uma raquete de tênis para escorrer espaguetes, em “Se Meu Apartamento Falasse” (“The apartment”, Billy Wilder, 1960), comédia romântica bem ao gosto da época.

No livro “O Cinema Vai à Mesa – Histórias e Receitas”, Rubens Ewald Filho e Nilu Lebert reuniram 25 filmes “gastronômicos”, outros tantos diretores, seis dezenas de receitas de pratos e bebidas extraídos desses filmes e preparadas por 21 renomados e renomadas chefs.

Receita de moqueca presente no brasileiríssimo "Dona Flor e Seus Dois Maridos"
Receita de moqueca presente no brasileiríssimo “Dona Flor e Seus Dois Maridos”

Ewald Filho é um dos mais importantes escritores sobre cinema no Brasil. A jornalista Lebert, entre outras atividades, especializou-se em publicações na área da gastronomia e da culinária.

Além das receitas bem detalhadas e com sugestões de harmonização com bebidas, os textos incluem a ficha técnica e a sinopse dos filmes, muitos dados sobre sua produção e muitas informações sobre diretores, diretoras, atores, atrizes e ingredientes.

A edição em capa dura é primorosa, muito bem diagramada e com belíssimas fotos de pratos de Helena de Castro.

Dentre os filmes, minha seleção vai para “Dona Flor e Seus Dois Maridos” (Bruno Barreto, 1976), “A Festa de Babette” (“Babettes Gaestebud”, Gabriel Axel, 1987), “O Jantar” (“La cena”, Ettore Scola, 1998), “O Tempero da Vida” (“A touch of spice/Politiki Kouzina”, Tassos Boulmetis, 2003) e “Maria Antonieta” (“Marie Antoinette”, Sofia Coppola, 2006).

A seleção de Ewald Filho pode não agradar a todos e a todas: gosto não se discute, filma-se. E como o livro é de 2007, ainda não tinham sido lançados outros filmes que se envolvem com a culinária e a gastronomia, como “Estômago” (Marcos Jorge, 2007), “Julia & Julie” (“Julia & Julie”, Norah Ephron, 2009) e “Pegando Fogo” (“Burnt”, John Wells, 2015), por exemplo.

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links, ausência de livros nas livrarias e sites. Preços de 16 de março de 2016.
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2 comentários em “MIL FOLHAS – Cozinha Brilhante estreia coluna sobre livros

  1. Nossa, Filomena, que grata descoberta o seu blog! Tem um pouco de tudo o que eu gosto – dicas de produtos bacanas e recomendações de eventos e livros. Parabéns, vou ficar freguesa desse cafezinho bem passado daqui! 😉 Beijos!

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    1. Opa, eu que fiquei feliz de ter te descoberto, ainda por cima é jornalista! Tou feliz que já tá curtindo o café (por enquanto virtual) e aguarde que logo já sirvo bolo de fubá! Beijos, é sempre bem vinda! E claro que tou de olho no CotidiAnices. Beijos!

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