COMER COM OS OLHOS – A arte do recomeço na rua

por Ronaldo Victoria

 “Chef” é um filme sobre uma tendência que veio para ficar na gastronomia: a comida de rua, ou “food truck”. Aqueles caminhões coloridíssimos onde se pode comer sanduíches transados ou pratos leves de forma descontraída ganham cada vez mais adeptos.

Prato que rola no filme "Chef"
Prato que rola no filme “Chef”

A produção fala sobre isso e o roteiro mostra que sair dos restaurantes representa uma forma de um chef voltar a acreditar no seu talento.

+ COMER COM OS OLHOS – Um chef de muitos pitis à procura de redenção

Isso porque Casper, o chef interpretado por Jon Favreau (também diretor), parece estar levando a carreira literalmente em banho-maria.

O chef. interpretado por Jon Dafron, em ação com seus assistentes
O chef. interpretado por Jon Fabreau , em ação com seus assistentes

Ele quer experimentar, criar novos pratos, mas o proprietário estressado (Dustin Hoffman) acha que em menu que está ganhando não se mexe.

Detalhe de massa aolho e óleo em foto na página oficilal do filme no Facebook
Detalhe de massa aolho e óleo em foto na página oficilal do filme no Facebook

A gota d´água acontece quando um crítico de gastronomia exigente demais, vivido por Oliver Platt, publica uma crítica péssima e desperta a fúria do chef. Resultado: demissão por justa causa.

A saída para sua vida surge quando bota o talento culinário na rua.

O demitido compra um furgão, claro.

COMER COM OS OLHOS – Receita de linguado com ovo confit e copa do chef Marcus Wearing

Cena do filme Chef, que, demitido de um retaurante, parte para um food truck
Cena do filme Chef, que, demitido de um retaurante, parte para um food truck

Conta com o apoio do filho e aproveita as raízes latinas do ex-esposa (Sofia Vergara) e do amigo Martin (John Leguizamo) para dar uma guinada no cardápio.

Cena do filme Chef
Cena do filme Chef com o ator John Leguizamo ao microfone

Agora Casper prepara deliciosos sanduíches latinos e faz seu novo público cair de boca (literalmente) no que considera exótico. E as receitas apresentadas no filme fazem salivar, como o sanduba cubano.

“Chef” não é nenhuma maravilha cinematográfica. Nem tem essa pretensão.

DVD do filme Chef, R$ 19,90 na Livraria Cultura, aqui
DVD do filme Chef, R$ 19,90 na Livraria Cultura, aqui

A história é esquemática, parece um conto de fadas com o velho embate entre comércio e criatividade. Mas é leve e diverte.

Foi uma nova experiência bem-sucedida de Favreau, o diretor que transformou a franquia “O Homem de Ferro”. Por isso, conta com o auxílio luxuoso de Robert Downey Jr. e Scarlett Johansson, a quem dirigiu na série, em pequenos papéis. Para quem pode!

  • Filme 🍳🍳🍳
  • Pratos 🍳🍳🍳🍳
  • Dificuldade em fazer os pratos 🍳🍳🍳
Blu-ray do filme Chef, R$ 41,99 na Americanas, aqui, e no Submarino, aqui
Blu-ray do filme Chef, R$ 41,99 na Americanas, aqui, e no Submarino, aqui

“Chef”

Título original: Chef

Estados Unidos, Colorido

Direção e roteiro: Jon Favreau

Elenco: Jon Favreau, John Leguizamo, Sofia Vergara, Dustin Hoffman, Oliver Platt, Scarlett Johansson, Robert Downey Jr.

Duração: 114 minutos, Gênero: comédia

➡ Ronaldo Victoria é jornalista, fundador e editor do blog Cinema É Vida, onde comenta produções desde os pioneiros do cinema, os Irmãos Lumière, até lançamentos recentes.

Cozinha Brilhante não se responsabiliza por alterações de preços e ausência de produtos em sites e lojas. Preços de 17 de agosto de 2016
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COMER COM OS OLHOS – Cozinha Brilhante estreia coluna sobre filmes

Histórias de gastronomia bem contadas no cinema são tema para a coluna que Cozinha Brilhante estreia hoje: COMER COM OS OLHOS.

A chef Babette em cena do filme icônico “A Festa de Babette”

Ronaldo Victoria, jornalista há mais de 30 anos, é quem vai discorrer aqui no blog sobre filmes que ele viu. A primeira coluna aborda “A Festa de Babette”, filme lançado em 1987 que se tornou icônico ao mostrar o passo a passo de um banquete em um vilarejo na Dinamarca do século 19.

Ronaldo entende do riscado: é dono do blog especializado Cinema e Vida, onde comenta produções desde os pioneiros do cinema, Irmãos Lumière, até lançamentos recentes.

Aqui, o jornalista vai comentar produções marcantes que destacam o poder da gastronomia: de histórias fictícias a documentários. “Tenho certeza que será um desafio estimulante, e sem trocadilhos, muito saboroso”, brinca.

“A Festa de Babette”:

Pra começar, uma olhadela neste trailer com cenas dos pratos:

Sinopse: A ação se passa no final do século 19, quando Babette, uma cozinheira francesa, chega à Dinamarca fugindo da repressão à Comuna de Paris. Numa pequena aldeia, ela pede emprego na casa de duas idosas solteiras, filhas de um rígido pastor luterano.

Até que chega a notícia que Babette ganhou um prêmio na loteria da França. Em vez de aproveitar o dinheiro, ela toma uma atitude inusitada: faz um banquete para as velhas e seu amigos.

O banquete do filme "A Festa de Babette"
O banquete do filme “A Festa de Babette”

O que fala sobre gastronomia: O premiadíssimo filme, que ganhou o Oscar de filme estrangeiro em 1987, mostra a gastronomia como arte.

E, com base no famoso livro de mesmo nome de Blixen, a destaca como uma arte que libera os sentidos e atua contra a repressão. Afinal, Babette mexe com o cotidiano cinzento daqueles idosos que viviam comendo apenas para sobreviver, e pratos sem a menor graça.

Veja o trailer original com legendas em inglês:

Babette trouxe um toque de festa, como diz o título original, tanto que as irmãs no começo ficam divididas em aceitar a proposta dele. Afinal, o pastor luterano, rígido até o limite, achava que nada era para dar prazer. E a cozinheira faz exatamente o contrário no encontro que marca os 100 anos do religioso.

O filme foi grande sucesso e eram comum os comentários de que não deveria ser visto em jejum. Isso porque as cenas que mostram o preparo dos alimentos são de incrível beleza. Um banquete sensorial.

Minha cotação:

  • Filme 🍳🍳🍳🍳
  • Pratos 🍳🍳🍳🍳🍳
  • Facilidade em fazer os pratos 🍳🍳 (não é para amador, só mesmo profissionais dão conta).
DVD à venda na Livraria Cultura

“A Festa de Babette”

Título original: Babette’s Feast. Dinamarca. Colorido.

Direção: Gabriel Axel.

Roteiro: Axel, com base em livro de Karen Blixen.

Elenco: Stephane Audran, Birgitte Federspiel, Bodji Kjer, Jean-Phillipe Lafont, Bibi Andersson.

Duração: 102 minutos. Gênero: drama.

O DVD “A Festa de Babette” está disponível na Livraria Cultura, aqui.

MIL FOLHAS – Cozinha Brilhante estreia coluna sobre livros

As delícias da cozinha presentes nos livros são tema para uma coluna aqui no blog Cozinha Brilhante.

Quem vai dar conta do recado é Frank Ferreira. Paulistano, editor e tradutor há uns 20 anos, é também cineclubista desde 1982 e comilão desde sempre _como ele mesmo se apresenta.

Frank começa com “O Cinema Vai à Mesa – Histórias e Receitas”:

O Cinema Vai à Mesa - Histórias e Receitas, livro de Rubens Ewald Filho e Nilu Lebert, da Melhoramentos
O Cinema Vai à Mesa – Histórias e Receitas, livro de Rubens Ewald Filho e Nilu Lebert, da Melhoramentos

O cinema é conhecido como forma de arte audiovisual — assim como o teatro faz parte das artes cênicas, a pintura e a escultura das artes plásticas etc — porque impressionaria especialmente os sentidos da audição e da visão.

Alguns chegaram a propor que a expressão “arte cinematográfica” fosse substituída por “arte audiovisualista”.

Acontece que a celebrada impressão de realidade que o cinema transmite aos espectadores é tão poderosa que consegue repercutir sobre os outros três sentidos humanos e provocar reações relacionadas a outras sensações.

É clássica a experiência de comportamento em que a mensagem subliminar “Eat popcorn” (“Coma pipoca”) inserida entre os fotogramas de um filme resultou numa corrida ao pipoqueiro ao fim da projeção.

Para nossa felicidade, há diretores e roteiristas que conseguiram criar e realizar filmes em que os atos de cozinhar, comer e beber prazerosamente, mais do que simples registros cinematográficos de ambientes e gestos casuais, são o centro em torno do qual a narrativa evolui.

Os mais bem-sucedidos criaram obras inesquecíveis. Por outro lado, nossa memória afetiva pode guardar para sempre cenas talvez dispensáveis em filmes famosos por outras razões, como quando Jack Lemmon usou uma raquete de tênis para escorrer espaguetes, em “Se Meu Apartamento Falasse” (“The apartment”, Billy Wilder, 1960), comédia romântica bem ao gosto da época.

No livro “O Cinema Vai à Mesa – Histórias e Receitas”, Rubens Ewald Filho e Nilu Lebert reuniram 25 filmes “gastronômicos”, outros tantos diretores, seis dezenas de receitas de pratos e bebidas extraídos desses filmes e preparadas por 21 renomados e renomadas chefs.

Receita de moqueca presente no brasileiríssimo "Dona Flor e Seus Dois Maridos"
Receita de moqueca presente no brasileiríssimo “Dona Flor e Seus Dois Maridos”

Ewald Filho é um dos mais importantes escritores sobre cinema no Brasil. A jornalista Lebert, entre outras atividades, especializou-se em publicações na área da gastronomia e da culinária.

Além das receitas bem detalhadas e com sugestões de harmonização com bebidas, os textos incluem a ficha técnica e a sinopse dos filmes, muitos dados sobre sua produção e muitas informações sobre diretores, diretoras, atores, atrizes e ingredientes.

A edição em capa dura é primorosa, muito bem diagramada e com belíssimas fotos de pratos de Helena de Castro.

Dentre os filmes, minha seleção vai para “Dona Flor e Seus Dois Maridos” (Bruno Barreto, 1976), “A Festa de Babette” (“Babettes Gaestebud”, Gabriel Axel, 1987), “O Jantar” (“La cena”, Ettore Scola, 1998), “O Tempero da Vida” (“A touch of spice/Politiki Kouzina”, Tassos Boulmetis, 2003) e “Maria Antonieta” (“Marie Antoinette”, Sofia Coppola, 2006).

A seleção de Ewald Filho pode não agradar a todos e a todas: gosto não se discute, filma-se. E como o livro é de 2007, ainda não tinham sido lançados outros filmes que se envolvem com a culinária e a gastronomia, como “Estômago” (Marcos Jorge, 2007), “Julia & Julie” (“Julia & Julie”, Norah Ephron, 2009) e “Pegando Fogo” (“Burnt”, John Wells, 2015), por exemplo.

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links, ausência de livros nas livrarias e sites. Preços de 16 de março de 2016.